Verso de Maria


Faz tempo que não escrevo nada... Estava me escondendo de mim. Tinha muito sentimento que não podia ter mais. Eu ainda penso muito, mas agora não dói mais. Só ficou birra, queria muito ter por perto o nada que não existiu. Abracei novas tulipas e me alegrei. O problema mesmo é quando coloca cabeça no travesseiro. Será que não dá para pular essa parte do dia?! A gente tinha que deitar e já logo dormir, como uma máquina fordista.

 Apoiada no travesseiro de avião que minha irmã trouxe para mim (adoro esse "presente") eu vou para o fantástico mundo de Maria. Lá lembro de tudo o que eu queria, tudo que não posso (odeio não poder) como eu queria ser, como eu gosto de ser e de tudo aquilo que eu ainda que vou ter que esperar para ser.

É verdade que já não sou mais a mesma Maria. Antes criatividade era sinal de inteligência, agora estou aprendendo a ser adulta e até consigo podar um monte de pensamentos. Maria trabalha, estuda, corre, esqueça, veja, não chora, seja forte, não dê risada tão alto, sirva o café, acorda, levanta, durma e não se atrase para o jantar.

Tem coisas que até são boas de esquecer e não proporcionalmente fáceis, porém necessárias. Já outras fico pensando o quanto vou sentir falta delas. Sem contabilizar as novas atitudes que não sei se são minhas ou do mundo que pediu e eu as faço sem contestar por causa da preguiça, me envergonho e temo por isso. 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 14h56
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