Verso de Maria


Foi quando eu descobri que sou assim mesmo… dou risada alto e quando dá vontade de rir… fato: não sei segurar. Eu me emociono fácil. Acredito em finais felizes para sempre. Tenho uma família complexa e que amo, e ninguém pode falar mal. Com as minhas amigas e nossas histórias… hum, poderíamos fazer um seriado milionário. Todas as coisas que eu quis muito, eu fiz. Eu tenho medo, às vezes, pânico. Os meus bens materiais mais valiosos se resumem aos meus cds/filmes, maquiagens, livros e a mala de viagens nova que vou comprar quando cair meu salário. Eu seleciono. Já sai sozinha e me diverti horrores, tal como, já me senti terrivelmente sozinha. Gosto de rezar. Quero um carro. Um dia, quero casar. Já gostei e sofri muito por alguém e sei que passa. Parei de fumar. Eu sei o que é saudade.

ps: eu tomo chuva.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 00h27
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Odeio o tom irônico de sua voz. Me remete a outras vezes que você já o utilizou. Seu olhar mostra demasiadamente o quão perdido você está. Conquistou tudo o que não queria e odeia quem é hoje. Desculpe-me, não posso carregar o peso da sua vida defasada. É o seu cérebro que não produz lítio. Sou apenas sobrevivente e não ficarei penalizada por sua situação, apenas lamento.

Não foram tempos fáceis, eu estou de pé, não importa como, todavia estou. Tu és mais que o dobro do tempo que já respirei e ainda não aprendeu a andar. Se fosse alma de criança era melhor, seria puro e doce. Seu mal é a infantilização e a constante dependência de tudo aquilo que puder se apoiar.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 21h44
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Carnaval

 

Eu odeio estar sozinha. Quando você está sozinho você ganha tempo para escutar a si mesmo e isso definitivamente tenho sérios problemas para fazer. Era feriado de carnaval, todos meus amigos foram viajar, alguns ficaram… e então sai e me distrai com o mundo lá fora. Mas na segunda-feira acabei ficando sozinha. Fui ver meu avô no hospital, resolvi doar sangue para alguém e depois fui caminhar. Fiquei sentada na escadaria da Gazeta olhando o movimento.

 

Ventava e comprei um echarpe bonito e também um broche. Ajeitei em volta do pescoço. Sabe aquelas pessoas que passam com um lenço e um livro na mão, elas parecem cheias de si mesmo e sabem para onde está indo.

 

Depois fiz as contas de quanto dinheiro tinha na carteira, achei melhor ir embora logo, iria escurecer e um táxi para casa ficaria caro. Decidi ir ao shopping, entrei em uma livraria cheia de famílias e casais felizes, não pareciam estar incomodados por não terem ido viajar em um feriado que pára esse país.

 

Quando estamos rodeados de estranhos e estamos perdidos é a mesma coisa que ficarmos sozinhos e então não reparei em mais ninguém. Comprei um bilhete de cinema, comi alguma coisa, entrei em um café, tirei meu livro da bolsa e esperei o horário do filme.

 

Meu pai quem foi me buscar, tinham algumas ligações perdidas no celular e isso me fez feliz. Enquanto aguardava meu pai foi o momento em que me senti infinitamente sozinha. Aqueles minutos de espera me fizeram pensar, mais uma vez, o quanto eu não sei estar só. Fico me perguntando o que as pessoas pensam quando ficam sozinhas.

 

A minha cabeça parece uma corrida, vem uma palavra atrás da outra e eu não consigo pensar o que quero. Nessas horas eu gostava de inventar alguma história e não precisava escutar a minha própria voz. Contudo, por algum motivo ultimamente não consigo mais fazer isso e agora tenho que me ouvir. O que é um tanto quanto complexo para quem não sabe fazer isso.

 

Às vezes eu penso nas pessoas que sofrem de verdade, aquelas que estão em meio a uma guerra, ou aquelas que morrem de fome e correm para comer arroz cru. E me sinto ridícula pensando em mim. Olho a luz de cada andar de um prédio e imagino o que está acontecendo em cada janelinha. O que intriga são as luzes de prédios comerciais acesas às 23h de um feriado, existem pessoas trabalhando? E será que vale a pena?

 

Não gosto muito das teorias pessimistas de Nietzsche, mas tem uma frase dele verdadeira, “humano, demasiado humano”. Traçamos sonhos, carregamos desejos, todavia todos temos os mesmos medos. Não há controle sobre isso, nem para aqueles que estão nos mais altos edifícios comerciais.

 

04.02.2008



Escrito por Maria Fernanda Costa às 23h17
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A vida tem desses episódios… Acontecem coisas que nunca havíamos imaginado que poderíamos respirá-las. De um segundo ao outro, palavras vem correndo e mudam aquele sentido. Adoro detalhes, observar pessoas, reparar no que nos deixa mais feliz. São sempre fatos menores, inesperados e pequenos.  

 

Se fizer uma grande viagem, as alegrias serão a nécessaire do avião, o prédio de distinta arquitetura, a companhia, as calçadas diferentes e o cheiro dessemelhante. Lembramos dos complementos, sempre. Queria mesmo era consecutivamente olhar para o mundo assim e que não levem meu jeito de ver.

 

Comecei a pensar em tudo isso, pois sempre fecho para balanço anual no fim de ano. Coloco na ponta do lápis os presentes que vou comprar, as coisas que aconteceram e que gostaria que tivesse mudado. Escuto músicas preferidas e festejo minhas conquistas.

 

Algo inusitado aconteceu esse ano, estou comemorando por alguém que gosto ter ido embora e espero que não volte. Planejando grandes planos para breve, novos caminhos, mas sempre atenta aos meus detalhes, minhas pequenas e velhas manias de olhar pela janela verde.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 23h18
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Maria não está triste, ela corre por todos os dias, cumprindo deveres e exercendo o ócio quando pode.

Nunca esteve assim antes, era sempre muito feliz ou muito triste. Nunca havia experimentado o sentimento de estar tudo indo e só.

Ela não gosta de experimentar o sentimento morno. Maria sabe que precisa sentir a frieza. Não ela não está triste, só está conhecendo a sensação “stand-by”. Coisa muito nova para Maria.

Não espera mais o telefone tocar, alguém que ela queria muito ouvir, não finge mais histórias lindas no travesseiro – momento impermeável a mentiras do id.  

Talvez tenha sido o demasiado número de turbulências, que a tenha levado a esse vazio, talvez fosse preciso varrer para preencher novamente.   



Escrito por Maria Fernanda Costa às 14h09
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Caixinha de Música

 

Tolo anotar sobre algo o que não sei. O fato é tempo todo em tudo isso.

Parece-me clichê, todavia preciso esclarecer, não é amor que sinto. Dentro tem uma espécie de solfa, entre a garganta e outra estilha vital. Paro de correr, começa a tocar.

 

Desafina sinfonia, ela toca ainda mais alto, e insiste em impelir suas notas. Eu queria mesmo era entender. De repente, eu quem não a deixar ir. Por tanto tempo foram raros períodos tangíveis e perdi a que me apeguei.

 

Gosto de quem sou quando está por perto, sabendo que nunca estará ao meu lado. Guardei miudezas. Cantiga toca com medo de não sentir como naqueles pequenos dias.

E por isso perde.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 03h06
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730 dias

 

Estava digitando a lista de jornalistas confirmados da coletiva. Tudo aquilo que eu senti, sensação de paralisação. Peguei minha bolsa e fui embora. Eu não queria nada, só precisa chorar.

 

Queria que você estivesse perto, vendo tudo o que eu estou conquistando, como estou crescendo, a maneira que estou traçando meus sonhos e como as coisas estão acontecendo na minha vida.

 

Mesmo que eu corresse e fugisse, em nenhum lugar eu poderia esconder a saudade que eu sinto de você. Eu te amo e você está mais viva dentro de mim que eu mesma. Por todos os dias da minha vida me lembrarei.

 

Vou gargalhar e tantas coisas boas e tantas alegrias irão chegar para mim, contudo não importa o que possa acontecer, ainda assim, eu lembrarei do seu sorriso e do jeito que você me abraçava. Minha bela irmã.

 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 18h35
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Volúvel

 

Estava me perguntando sobre a capacidade do ser humano de viver um instante intenso e tão íntimo que não poderia ser mais próximo.

 

Depois, se encontrar com frieza e distância abismal. O contra -senso de dois eventos provocados pela mesma causa e que havia gerado outro efeito.

 

Quatro mãos que fizeram do escuro a contemplação e nunca mais escreveram juntas. Talvez, em pouco, nem mais se reconheçam, onde rugas apagam memória.

 

Até onde vale desenhar assim… Nem todas as lembranças enraizadas dissimularão a dor de abandonar o egoísmo de querer.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 23h16
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Faz tempo que não escrevo nada... Estava me escondendo de mim. Tinha muito sentimento que não podia ter mais. Eu ainda penso muito, mas agora não dói mais. Só ficou birra, queria muito ter por perto o nada que não existiu. Abracei novas tulipas e me alegrei. O problema mesmo é quando coloca cabeça no travesseiro. Será que não dá para pular essa parte do dia?! A gente tinha que deitar e já logo dormir, como uma máquina fordista.

 Apoiada no travesseiro de avião que minha irmã trouxe para mim (adoro esse "presente") eu vou para o fantástico mundo de Maria. Lá lembro de tudo o que eu queria, tudo que não posso (odeio não poder) como eu queria ser, como eu gosto de ser e de tudo aquilo que eu ainda que vou ter que esperar para ser.

É verdade que já não sou mais a mesma Maria. Antes criatividade era sinal de inteligência, agora estou aprendendo a ser adulta e até consigo podar um monte de pensamentos. Maria trabalha, estuda, corre, esqueça, veja, não chora, seja forte, não dê risada tão alto, sirva o café, acorda, levanta, durma e não se atrase para o jantar.

Tem coisas que até são boas de esquecer e não proporcionalmente fáceis, porém necessárias. Já outras fico pensando o quanto vou sentir falta delas. Sem contabilizar as novas atitudes que não sei se são minhas ou do mundo que pediu e eu as faço sem contestar por causa da preguiça, me envergonho e temo por isso. 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 14h56
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Tem dia...

 

Tenho trabalhado ao máximo todas inquietações, normais de qualquer ser humano. Sinceramente eu não queria voltar a ser criança, mas como é difícil tomar decisões que farão grandes diferenças em seu futuro e muita delas não podemos esperar que a certeza chegue para termos “tempo” para decidirmos.

 

Meu lado expressivo ao mesmo tempo em que me define, faz ser quem sou e faz as pessoas me amarem por isso,  também me causa problemas. Às vezes nem eu consigo lidar com tanta intensidade e daí saio desesperada por uma papel e um lápis para escrever toda aquela coisa dentro de mim. E tenho muito medo, aliás, faz pouco tempo que descobri como eu sou medrosa. Tenho um medo danado de ir embora, tenho pavor que as pessoas queiram ir embora.

 

Nem ando mais me preocupando tanto em deixar palavras conexas, sabe preciso mais é tentar preencher vazio. Paradoxo, como eu vou querer ocupar espaço se eu vou colocando tudo para fora. Aí tem vezes que corro lá para o mar e ficando olhando estrelas. Essa sensação que a natureza traz é um presente, mas tem validade.

 

Você pode também beber uma garrafa de vinho sozinho, ligar para bons amigos, ter uma boa transa, rezar, fazer terapia, ler um bom livro, fazer ginástica, trabalhar, dançar, mas tudo isso não resolve senão olha para dentro. E como olha? Eu estou tentando entender esse processo, se assim posso chamar. Procuro muita resposta na música, tem dia que a gente encontra verso que descreve aquilo tudo. Identificação é outro fator que ajuda, afinal você não se sente mais um completo idiota e descobre que alguém se sente igual a você, ou pelo menos já se sentiu. É dia com gosto azedo, que limão nenhum nesse mundo explica e açúcar nenhum adoça.

 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 19h47
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Meu sorriso grande...

 

O que foi eu não sei contar não. Sei que estou feliz, nova, mudando, acreditando diferente, vendo melhor, acordando sorrindo.

 

Dizem que estar apaixonada faz essas coisas, mas não é o caso. Sei lá, tem horas que aprendemos com tudo o que foi e a gente só quer ser melhor. São tempos que a gente quer ser feliz todo dia e cansa de ver ponteiro girar.

 

O melhor de tudo mesmo é sorrir grande e de dentro para fora, sem motivo algum. Encher o peito só por você, porque você aprendeu a olhar para dentro. Isto não é textinho barato, estilo de auto-ajuda, odeio esse tipo de literatura. É só palavra escrevendo aquela coisa toda.    



Escrito por Maria Fernanda Costa às 21h16
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Doze Meses

 - Mesmo que não queiram... parece que as pessoas calculam o que valeu a pena, o que foi bom, o que foi ruim e sempre o que precisa mudar ou apenas melhorar!

- Lembramos das melhores coisas do ano...

- Pensamos tudo aquilo que queremos para o próximo...

É engraçado isso, né?! Por que bate esse sentimento de análise... Eu não sei se isso acontece com você?! Mas eu sempre traço as minhas metas, a velha frase repetida... "o ano que vem... eu vou..." Acho que é isso, as pessoas precisam renovar, elaborar novos desafios. Eu pessoalmente tenho horror do tédio... acho que eu morro se faltar a correria, o trabalho, a faculdade, as amigas, o porre do ano, a saudades, risadas, um teatro, um casinho, qualquer coisa que dê uma agitada!

Planejar é bom... mas adoro o inesperado, aquele dia que você pensa que vai ficar em casa e pegar um filme... e aí surge alguma coisa bem bacana e que faz você pensar "como a vida pode ser boa!"

 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 01h08
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Espaço para uma lembrança

 

Minha família e eu sempre viajamos para o litoral sul, eu adorava acordar e sentir cheiro do mar e sal. Uma ocasião só eu e minha mãe tínhamos acordado e fomos para a praia. O mundo inteiro era só eu ela.

Não construímos um castelo ou nadamos, mas fizemos um buraco muito fundo. Ela me disse que se a gente cavasse bastante poderíamos chegar do outro lado da terra e era possível encontrar homens japoneses.

Ela me explicou sobre a linha do horizonte e contou que do outro lado do mar tinha a África e a Europa. Tentou me fazer entender que o mundo é redondo e que Deus está no céu.

 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 09h04
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1986

Sete de fevereiro – Dia em que nasci, em um hospital perto da Avenida Paulista. Talvez por isso gosto tanto da Paulista, traz sentimento de conforto, estar no meio da massa. Sentir-se completa entre estranhos e em momentos cinzentos andar na multidão. Os esbarrões e desvios de passos recordam que sou gente como todas aquelas ali em seu sagrado horário de almoço.

 

Tempos de Infância 1986 a 1997

Menina inquieta, eu nunca gostei do silêncio. Cabelos castanhos, cheios de cachos que minha mãe os desfazia com escova de madeira. Olhos escuros, sempre grandes, atentos, felizes ou marejados. Brincava no quintal e qualquer coisa podia se transformar em uma escola, casa, banco, teatro, hospital, bastava escolher qual seria o cenário da brincadeira e tudo se fazia. Os pregadores coloridos com água era sopa, papel picado também era uma delicia. Eu sempre tive medo do escuro e do que tinha embaixo da cama.



Escrito por Maria Fernanda Costa às 22h00
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Cobertura - Congresso Fenabrave 2006

Botões fechados até o pescoço, salto-fino e meia-calça. Eu vim com meu velho jeans e bota plataforma.

bacana, receber uma credencial, uma bolsa cheia de publicidade de patrocinadores e sem me esquecer da bela caneta.

alguém me disse que a vida é assim mesmo

que a gente tem que fazer coisas que não gostamos

para quando a gente crescer e for grande

poderemos então, escolher o que iremos fazer...

Que coisa, o "super workshop" sobre "Benefícios e riscos na implantação do CRM na concessionária de moto" já vai começar!!!

eu mal posso esperar para o palestrante iniciar o seminário... e saber tudo do fantástico mundo das duas rodas.

 



Escrito por Maria Fernanda Costa às 15h28
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